"BOLHA ACTIROSEL"


As banalidades de cada dia, o albergue dos meus "momentos bolha" e sentimentos de vida...

sábado, julho 5

Coisas do tempo...

Bem dizia a minha amiguinha depois de lhes (às 2mais chegadas) ter contado o meu enrredo:
“babe, já andas nisto há muitos anos mesmo!"
Pois ando!... isto é incrível mas hoje encontrei aqui pelos meus documentos um mail que nunca chegou a ser enviado. Data de 7 de julho de 2007. Faz EXACTAMENTE um ano!!!... E não é que a maior parte das coisas que escrevi poderia ainda perfeitamente enviar hoje!?!
(Que coisa...)
"Esta semana sinto-te em todos os lados e o facto de sentir desta maneira a tua falta só me causa irritabilidade! Lembro-te no ambiente de trabalho do computador onde o mano escolheu pôr uma foto de grupo nossa, na música que passa na RFM por volta da hora do jantar, antes de dar a vingança que é o nosso tempo do dia, nas conversas dos domingos quando insistem em pôr a minha vida afectiva em cima da mesa como se de um livro aberto se tratasse, no blog da mix que vou visitando e por aí…
(...)
E quanto mais penso nela dessa forma, (...), mais me sinto a parvinha que se recatou e quer ser a durona da rua:...Irritabilidade a duplicar!...o que dá para o extravasamento a roçar, vá lá, a rebeldia do meu 8ºano!...Afinal só passaram 2meses, descobri a verdade integral por mim própria e por um acaso (mesmo que tivesses a certeza que me irias por a par de tudo um tempo depois, isso não atenuou em nada aquele exacto momento infeliz…) e isso foi talvez uma das 3coisas que mais me magoou durante estes 19anos!...Além disso, era de esperar que tais sentimentos surgissem… Aparentemente recuperei lindamente ao fim de uma semana, mas creio que os reais prejuízos só os vou sentir a longo prazo, pois conscientemente, tenho andado a fazer tudo que os retarde. Depois talvez vá ser pior para mim, talvez leve à explosão…mas depois “logo se vê”, como interiorizei, e agora é uma prioridade que eu esteja o mais possível de bem com o mundo, dada a responsabilidade que tenho em cima nesta fase pré-faculdade, como qualquer estudante no fim do secundário… Mas continuando... quando vem o ciumezinho, a revolta, a irritabilidade… algo deve ser activado na minha cabecinha, tipo ‘guardinha’ – EGO – porque me passam a mil um porradal de sentimentos de distanciamento de ti, como que a proteger-me. Inutilmente, claro!... Depois penso, “não era para viver despreocupadamente e sentir o gosto da liberdade da vida sem saborear o risco das consequências?”! Pois era!... E é então aí que entra a energia e me sinto picadinha por injectáveis de raiva e mágoas mal curadas. Aí volto à idade dos porquês e só quero descobrir porque ainda continuo eu amarrada a ti, porque não me deixo ir no emocional na totalidade como deixo acontecer com o físico, porque mesmo desencantada de ti é de ti que me lembro ao longo do dia, de como estarás, do que estarás a fazer… E não quero, não vou deixar que pensamentos destes me façam viver na palermice de querer ficar contigo, como até aqui tem sido, e entretanto ir acordando todos os dias nesta má-onda deprimente, neste “chove não molha”, nesta complicação que não entendo, agora que deixei a ingenuidade de acreditar que gostar chegava. Já não chega, agora só me quero deixar de utopias e gozar o que trazem de feliz as outras realidades. Mesmo que não sejam avassaladoras nem morais, mesmo superficiais! Antes possíveis, arriscadas e acima de tudo revigorantes! Já não me importa o cavalo branco e o príncipe em cima dele. Agora só o imediato, o fútil que não dá dores de peito e o intenso que me desperte qualquer coisa. Antes uma simples crónica a uma complexa história de encantar…e seja qual for o seu final: “felizes para sempre” ou nem tanto como isso!
Sei que isto é apenas uma fase, que não vou querer isto a vida toda e talvez, nem sequer por muito tempo. Mas por agora é isso me que tem dado o Neto e estou a gostar de ir vivendo. Tenho noção de como e porquê começamos, da grande componente física e da atracção mútua surgida na essência dos ritmos latinos que dançamos…com nada de sentimental, com nada que leve a algum lado, eu sei! No entanto, agora sinto que essa componente inicial, embora ainda bem presente, nos acabou por arrastar para o início das afeições…Gosto da imprevisibilidade, da disponibilidade para bons momentos, para nos conhecermos e perceber o que há, da atenção, da tensão, das conversas abertas tal é o nosso descomprometimento, da preocupação mútua, do entusiasmo de se estar meio apaixonado e do mel bem doseado que a esta fase traz junta!... Mas as vezes sinto-me a pior pessoa do mundo, a mais cobarde (a “sem tomates”), mentirosa, rancorosa e a mais aproveitadora que exista!...como agora que voltei de estar com ele. Com o ‘outro’, porra! Aquele que não está em mim como tu e com quem não me imagino a partilhar a minha vida!...É incrível, mas há sempre um fechar de olhos que tenho quando estou com ele ou um movimento de arrastar o cabelo para trás da orelha que vêm carregado de um aperto apertadinho na garganta que não consigo evitar…sou invadida por vibrações tuas, quer a meio do sereno recosto dos braços que não são teus, quer com respirações que não são as tuas à volta dos meus ouvidos!!!...Ou trato de vida ou acabo na maior fossa se não fizer nada para nos sermos e se continuar a pensar que não há ninguém que te iguale, que me agarre como tu, que saiba de cor ouvir aquilo que sou e de quem consiga gostar como gosto ainda de ti…e isto ao mesmo tempo que me vou deixando distanciar de um par que não eu-tu, a abrir espaço a terceiros!!!!... Vou pirar, de certeza, vou mesmo!
(...)
Não ando em mim outra vez e perdi de novo o controlo quando já tinha voltado a achar que faria o que queria com o sentia! Mas não, que grande erro meu!... Só quero que isto passe, que se defina!...que se vão abaixo os conflitos interiores, merda! Abaixo o meu desequilíbrio emocional porque gosto de ter tudo bem arrumadinho cá por dentro e está…puFF, está o caos mesmo! Acho que preciso de férias e de tempo, de te ver e ver se dá para clarificar o que há, de conversar e começar outra vida (a académica)!...fazer, sem dúvida, novas paragens! Não é nada contra ti, não fizeste nada que propositadamente me pudesse deixar em tal estado…desculpa qualquer ar desesperado e arrogante que possa estar por aí algures contido…é que estou assim como quando acabo de socializar com cafeína…passadíssima! Este amor já não é saudável mas é o que há! Adoro-te tanto...és-me muito e vais continuar sempre a ser!!!...É uma vida, devemos saber gerir e eu não estou a saber fazê-lo…"
(Depois beijinhos e ba-bla-bla final...)
OpAhH, chega, por favor... GRRR!

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