"BOLHA ACTIROSEL"


As banalidades de cada dia, o albergue dos meus "momentos bolha" e sentimentos de vida...

terça-feira, fevereiro 12

Relato atrasado...

da minha última praxe nocturna, 6ªfeira passada!
Começando pela foto, para não julgarem que ando, de forma um tanto ténue , talvez descontextualizada deste título à pressão...
São 40 isqueiros recarregáveis publicitando a Universidade Católica Portuguesa que me comprometi a vender para ser possível suportar os custos das actividades académicas e praxísticas que estão planeadas... Especialmente um fim-de-semana de 3dias que está amorosamente a ser preparado pelo concelho de veteranos. =) (Iupii!)
Eram 500 e cada caloiro ficou responsável por uma média de 15 isqueiros, mas eu passei-me e quis soltar a vendedora que há em mim...daí ter-me proposto a ficar com mais do dobro deles e querer revelar o meu dedicado empenho, a modos que a compensar as baldas que dei a algumas praxes no 1ºsemestre... Espero não me arrepender de tamanha mercadoria!!!
(De qualquer forma já vendi 31 e faltam, então, 9)
UCP Instituto Ciências da Saúde - Porto
É o que dizem, em letras pretas, junto ao logo a que já me habituei! São simples, em 2 cores! Gosto deles! Fiquei com 5 de recordação para mim! =)
Quanto à praxe em si, foi duríssima, sob uma noite gélida, com músicas e gritos esforçados, exercícios físicos como flexões, abdominais e posiçõs de prancha... mas essencialmente um tempo interminável a ouvir coisas vagas do nosso excelentíssimo Dux... explicações, constatações, expectativas e um pouquinho de sermão! Tudo repetido vezes sem conta, como já é típico dele. Nós só temos de ouvir e até isso custa ao fim de 7horas em pé (ou sentados no alcatrão), com alta fome e sem sentir as extremidades do corpo do briol que se instalou... Com o passar do tempo cada vez mais somos menos, os que "querem mas não podem" tem vindo a ser expulsos quando não tem presenças suficientes, ficando assim excluídos da passagem na tribuna, no cortejo...Desta vez foram mais 2 ou 3 raparigas. Uma delas chorou baba e ranho, fiquei cheia de pena mas a situação foi incontornável e esse o único destino justo, comparativamente com mais uns quantos a quem já aconteceu o mesmo!!!...
Para estimativas: Somos à volta de 125caloiros, nunca apareceram em nenhuma ocasião mais de 90 e às praxes nocturnas praticamente só os dedicados comparecem. Daí a importância que lhes atribuem.
Desta vez aparecemos cerca de 30, tirando as que foram excluídas e aqueles que foram pedindo para sair antes de ter terminado tudo oficialmente com a expressão em latim "Em nome de solenissíma praxis, praxi nocturna encerratum est", ficámos 14.
Aí foi o auge sentimental quando se falou em verdadeira amizade, objectivos disto tudo e valores que ficam para a vida inteira...referência de finalistas que garantem que os 4anos que estámos a começar a pisar foram os melhores das suas vidas. Pela primeira vez, talvez por ser também a primeira em se criou um pequeno grupo interessado e um ambiente mais acolhedor e íntimo, as nossas palavras foram solicitadas, assim como as nossas opiniões. Sem dúvida que nesta altura do campeonato já são bem explícitas as diferenças dos nossos discursos relativamente às primeiras semanas, muito mais impostas. Agora soam mais pessoais, mais sentidos, mais vividos e mais verdadeiros. Muito menos generalizados no grupo.
Depois já de uma garrafa inteira do líquido tradicional de actos praxísticos cá plo Porto (o Vinho do Porto claro está!) ter circulado por todas nós, assinámos simbolicamente a rolha de cortiça com os nossos números!...Nova tradição institucionalizada também pelo Dux. Segundo ele, adora tradições e esta a criar algumas para a nossa 'casa', na tentativa de fazer alguma história (penso eu)!... Ele também estava muito orgulhoso por ter tirado 18 no ensaio clínico V, o que é uma grande proeza! :)
Para terminar estes meus registos, não posso deixar de referir que à minha frente, durante esta parte final, estava sentado 1rapazinho que de tão emocionado deixou que lhe rolassem umas longas lágrimas pela cara abaixo. Eu não cheguei a tanto e consegui que as minhas não chegassem a transbordar. Enfim...ele reparou que eu reparei, ficámos embaraçados, ele sorriu-me de leve e voltámos a baixar a cabeça, na tentativa de esconder os olhos com a pala do chapéu!...
Meu Diós, não sei que mais contar nem que palavras usar para ilustrar o que às vezes vivemos por lá apesar das dificuldades...mas julgo que pequenos exemplos destes vão ajudando a tentar mostrar alguma da intensidade...
Cheguei a casa às 4da manhã depois de deixar 2amigas em casa e no sábado passado tinha as dores musculares entranhadas no corpo, mas... também estava contente com o que tenho aprendido! :)

1 comentário:

rinha disse...

Todas as frases, relativas à vida académica, que me saem dos dedos são verdadeiros "clichés"! Durante os tempos de faculdade vamos cantando umas músicas bonitas, outras engraçadas, todas elas sobre amores e desamores, saudade, fitas e serenatas! Temos a sensação que aquele é o NOSSO mundo, em que vamos ficar para sempre...
Quando acabamos o curso e durante algum tempo, que para muitos são mesmo anos, sabemos que o tal mundo já não é tão nosso (ou pelo menos só nosso!), mas se quisermos viver nele... vivemos!
Agora, quando passam aí uns 10 anos, quando olhamos para trás e temos a certeza que, por mais voltas que dermos, por mais doutoramentos que façamos, aquele mundo já não é nosso e a palavra de ordem é mesmo a SAUDADE! Não resta mais! Mesmo! Todas as serenatas passam a fazer sentido...
O conselho do "vivam isto enquanto é tempo e aproveitem ao máximo" é desnecessário, porque para se saber o que aqui está escrito verdadeiramente... tem que se passar por lá!
Beijos
Rinha